As transformações em uma criança revelam traços importantes de caráter e personalidade. A emoção altera a respiração, os batimentos cardíacos e até o tônus muscular, tem momentos de tensão e distensão que ajudam o ser humano a se conhecer; a raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos ganham função importante na relação da criança com o meio. A emoção causa impacto no outro e tende a se propagar no meio social. A afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano.
A formação do eu na teoria de Wallon depende do outro. Seja para ser referência, seja para ser negado. Principalmente a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si própria. Isso se dá aos 3 anos de idade, a hora de saber que “eu” sou. Manipulação, sedução e imitação de outra pessoa são características comuns nessa fase. Até mesmo a dor, o ódio e o sofrimento são elementos estimuladores da construção do eu.
Diferentemente dos métodos tradicionais, Wallonhumaniza o desenvolvimento. Ele considera a pessoa como um todo. Elementos como afetividade, emoções, movimento e espaço físico se encontram num mesmo plano. As atividades pedagógicas e os objetos devem ser trabalhados de formas variadas. Numa sala de leitura, por exemplo, a criança pode ficar sentada ou deitada enquanto o professor explica algum tema.
O movimento é o primeiro a se desenvolver e serve de base para o desenvolvimento dos demais.Os movimentos instrumentais são ações executadas para alcançar um objetivo imediato e não diretamente relacionado com outro indivíduo; este seria o caso de ações como andar, pegar objetos, mastigar etc. Já os movimentos expressivos têm uma função comunicativa intrínseca, estando usualmente associados a outros indivíduos ou sendo usados para uma estruturação do pensamento do próprio movimentador. Falar, gesticular, sorrir seriam exemplos de movimentos expressivos e tem grande importância na construção do pensamento e na aquisição da linguagem.
Afetividade
A afetividade, por sua vez, seria a primeira forma de interação com o meio ambiente e a motivação para o movimento. À medida que o movimento proporciona experiências à criança, ela vai respondendo através de emoções. A afetividade é o que separa a criança do ambiente. As emoções são, também, a base do desenvolvimento do terceiro campo funcional, a inteligência.
Inteligência

A inteligência, para Wallon, está relacionada com duas importantes atividades cognitivas humanas: o raciocínio simbólico e a linguagem. À medida que a criança vai aprendendo a pensar nas coisas fora de seu alcance, o raciocínio e o poder de abstração vão sendo desenvolvidos. Ao mesmo tempo, e relacionadamente, as habilidades linguísticas vão surgindo no indivíduo.
Wallon dá o nome de pessoa ao campo funcional que coordena os demais, que é responsável pelo desenvolvimento da consciência e da identidade.
O eu puro e o eu formado. "Ego".
Ao nascer todo ser humano traz o "eu" puro, vazio. Através do meio em que vive é que vai colocando em um recipiente (dentro de si) todos os valores, tudo o que pode ser bom ou ruim e assim vai formando o seu egocentrismo, o seu "eu" próprio e individual, ou seja, a sua própria personalidade.
Os únicos canais (do ser) que o bebê reconhece nas primeiras semanas e embora haja uma certa extensão dos meios utilizados, é a boca por onde entra o alimento e o ânus por onde excrementa, até a próxima necessidade de alimento.
Nesse contexto, dai talvez tenham surgido os termos libido, simbiose e tantos outros inesgotáveis de entendimento e explicação na formação do "eu" e do "ego". Mais essa modelação, da consciência pelo ambiente coletivo, não é diretamente ligada aos instintos sexuais e os imperativos sociais.
No livro anterior (les origines de caractere chez I' enfant), foi indicada a comunhão que principia a introduzir a criança no seu meio.A criança não tem coesão intima, e estão vulneráveis as influencias mais fortes. Os recém-nascidos precisam sempre de uma assistência, e é pela influência do movimento de outros que as atitudes vão se tornando forma.Tudo se torna espontâneo, a sagacidade, a manifestação emotiva nascem da criança.Quais são os sinais dum êxito provável?
Os gestos, as atitudes, a fisionomia e a voz.
O sorriso da criança corresponde rapidamente ao da mãe.
Existe uma espécie de momento emocional que explica o ponto das emoções comunicativas.À um conjunto funcional com uma evolução antiga que as operações de representação, de decisão, que são mais exclusivas à parte cortical. Tudo o que chega simultaneamente a sua consciência fica confundido nela.Assim as crianças não conseguiram distinguir a sua pessoa do que terá de dissocia nas impressões como não lhe pertencendo, se não uma série de praticas.
O eu não tomou ainda em relação ao outro, esta espécie estabilidade e de persistência que nos parece indispensáveis a consciência de si, que nos parece ser constitutivos da pessoa.
O período dos jogos de alternância chegou ao fim, no entanto por dar a oportunidade ao EU de tomar posição em relação ao OUTRO, nessa nova etapa, muitas vezes parece uma verdadeira crise, é a crise da personalidade que aparece aos três anos mais ou menos.
Algumas crianças deixam ao diálogo que tem consigo mesmo, fazendo os papeis dos dois interlocutores como se ambos fossem uma só pessoa. Mesmo assim, elas se afirmam, opondo-se a tudo, relativamente. Porém é através das coisas, que as crianças primeiro encontra um conteúdo e começa a separá-las na forma do meu e do teu. Também nesse período surge a cobiça do que vê nas mãos dos outros com uma certa indiferença entre o EU e o OUTRO. Com a sua oposição (do eu e do outro) nasce a necessidade de compartilhar, muitas vezes sob a forma de protesto contra a partilha. Vem o desejo de propriedade das coisas, que é sempre um sentimento de competição. Ela não quer usar aquilo, mais o quer apenas porque pertence aos outros. Usa de todos os subterfúgios para conseguir seu intento: como violência, astucia, mentira, apenas para transformar o teu no meu. Nesta fase, há um combate, onde o eu se conquista ao mesmo tempo em que se opõe, (se agita e se acalma). A medida que se fortalece e se estabilizam os limites do seu conteúdo.
Durante muito tempo a criança fica na duvida, mas no final acredita na exteriorização total dos outros e na integridade total do seu eu. A repartição da matéria psíquica, varia segundo os indivíduos, segundo suas idades, e ainda segundo certas alteração da vida psíquica.
Entre o eu e o outro, a fronteira pode ter novamente tendência para desaparecer em certos casos de choque ou de obnubilacao mental. O que pertencia ao outro pode ser novamente reabsorvido pelo eu. Isto pode acontecer com um adulto também, porém nas crianças é muito mais notado. Há vários fatores íntimos ou orgânicos, como: tono-vegetativo, maior ou menor petulância psicomotora, entre outras que depende o equilíbrio fundamental das nossas relações com os outros, tendo em conta a adaptação às circunstancias em sua volta.

A apresentação da análise da leitura do livro “Psicologia e Educação da Infância”, de Henri Wallon visa apresentar o diálogo como foco principal no desenvolvimento das crianças, sendo na educação e na vida cotidiana. O livro conta sobre o “Demônio de Sócrates”, que existe uma lenda que afirma q Sócrates começou a torna-se naquilo que foi ao apercebe-se que não era nada, ou seja, um demônio que nunca o incitava a ir para frente, Sócrates nada ensinava, apenas ajudavam as pessoas a tirarem de si mesmas as suas próprias opiniões, pois o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro, de acordo com nossa consciência.
Joana d’Arca ouvia vozes, vozes de Deus, que aconselhava a seguir missões para salvar o mundo de impunidade e do orgulho, foi queimada viva, sendo considerada na época como bruxa. Assim como Joana d’Arca, existem muitas crianças de hoje, que acreditam ter amigos imaginários, o livro conta a partir dos 03 anos essa imaginação desaparece, durante esse período de amigo imaginário invisível, as crianças quando estão brincando sozinhas, gostam de imaginar que tem uma amiga invisível, e para isso falam com ele, riem e até chegam a ficar zangadas e ficarem dias “de mal”.
Quando os pais verificam que o seu filho está falando sozinho costumam ficar preocupadas, mas, segunda Wallon, as crianças por volta dos 03 anos de idade, precisam imaginar e criar o seu mundo de fantasia e o mundo da criança é recheado de fadas, duendes e outras fantasias, e é isso que lhe dá felicidade e prazer em crescer. A imaginação é uma capacidade básica da espécie humana para criar imagens, fantasias e pensamentos. Embora a obra de Wallon não seja algo escrito recentemente, ela é extremamente rica e traz consigo dadas que ajudam a lançar um novo olhar, novas significações sobre questões atuais acerca do desenvolvimento infantil.
Wallon, em sua teoria, compartilha do princípio do materialismo dialítico, ou seja, a atividade humana é um eterno processo pela busca da totalização, sendo que o homem encontra-se constantemente, em transformação.
A construção do eu, depende essencialmente do outro. Seja para ser referencia, seja para ser negado. Principalmente a partir do instante em que a criança começa a viver a chamada crise de oposição, em que a negação do outro funciona como uma espécie de instrumento de descoberta de si próprio. Isso se dá aos 3 anos, que é a hora de saber que “eu sou”.

Temos os seguintes aspectos: a manipulação, por exemplo, agredir ou se jogar no chão, para alcançar o objetivo; a sedução, exemplo, fazer chantagem emocional com os pais e professores e imitação, exemplo, imitar o outro, são todas características comuns nessa fase. Até mesmo a dor, o ódio e o sofrimento, são elementos estimuladores da construção do “eu”. Isso justifica o espírito crítico da teoria walloriana aos modelos convencionais de educação.
“O individuo é social não como resultado de circunstancias externas, mas em virtude de uma necessidade interna”. Henri Wallon